segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Brasil Imperial

Anticolonialismo e emancipação política
Antes da independência dos EUA e da Revolução francesa ocorreu a maioria das rebeliões coloniais no Brasil. A inconfidência mineira (1788 – 1789)  foi influenciada pela independência dos Estados Unidos e motiva da pelos problemas locais, a conjuração baiana foi influenciada pela fase mais radical da revolução francesa.
Os principais fatores de rebeliões na colônia foram a escravidão e as restrições mercantilistas.
O mercantilismo iniciou-se a partir de 1640 com a restauração. O que marca esse período é a exploração e opressão colonial que aconteceu no século XVIII, com a mineração. A medida que se intensificava a opressão e a exploração, as rebeliões tinham tendência de se radicalizarem à violência.
Com a vinda da família real para o Brasil tudo mudou. D. João VI enfrentou a revolução de 1817 em Pernambuco e em 1820 a Revolução Liberal do porto. D. João em 1821 teve que voltar a Portugal.
A declaração de independência do Brasil ocorreu como reação à tentativa de recolonização pelas cortes de Lisboa. Sob a liderança de D. Pedro e José Bonifácio a independência também foi uma estratégia das camadas dominantes contra a ameaça de ascensão popular.





Primeiro Reinado e regência
o processo de independencia do brasil começou em 1808 com a chegada da família real e se consolidou com a abdicação de D. Pedro I em 1831.
A luta pela independência ganhou forma de conflito entre Brasileiros e portugueses, ocultando as diferenças e semelhanças entre os brasileiros e com os portugueses.
Brasileiro e portugueses das camadas superiores aliaram-se a D. Pedro, porém quando conquistou a independência se separou da elite política brasileira caminhando para o absolutismo. A noite das garrafadas representa o auge do conflito com o imperador e o agravamento dos confrontos levou D. Pedro a abdicar.
No centro–sul do Brasil atuava a mais poderosa elite econômica e politica já o nordeste era o importante polo algodoeiro com base de federais liberalistas.
 Os liberais radicais existiam entre a camada popular da cidade, porém um radicalismo maior, antiescravista, existia apenas entre africanos e afrodescendentes.
Os liberais moderados e parte dos farroupilhas ou exaltados uniram-se para realizarem reformas federatistas e descentralizadoras do poder político, e conseguiram aprovar a reforma do Código de Processo Criminal (1832) e o Ato Adicional (1834).
Feijó foi a figura central do período regencial, entretanto fracassou no combate às rebeliões do Período, a regência acabou com o triunfo dos conservadores ou regressistas.
A Cabanada, a Farroupilha, o Levante de Malê, a Sabinada e a Balaiada foram as principais rebeliões do período regencial.


O Segundo Reinado
Havia um grande contraste entre a elite governante e o resto da população. O apadrinhamento e as relações de favor eram praticas dominantes na política e na sociedade. O poder moderador, o conselho de estado, o Gabinete Ministerial, o Senado e a câmara dos Deputados eram as principais instituições políticas. O poder Moderador era o principal alvo da crítica liberal.
Os conservadores e os liberais saiam do mesmo grupo social, porém os conservadores eram mais coerentes e coesos por isso permaneceram no poder por muito mais tempo. Com o fim dos conservadores iniciou- se um movimento de reforma liderada pelos liberais.
A lei do ventre livre, e os Sexagenários foram as estratégias do governo imperial para resistir às pressões. Após a guerra do Paraguai  trouxe os militares à cena política.
O estado imperial e os monarquistas conservadores enfrentaram e perderam a disputa política com os liberais, militares positivistas, republicanos e abolicionistas.
Com o crescimento do movimento abolicionista, o império ficou sem saída, por consequência ocorreu a Lei Áurea em 1888 determinando o fim da monarquia.

A economia no segundo reinado
A economia cafeeira foi o fator de estabilidade política do segundo Reinado. O maior produtor foi o vale do paraíba e posteriormente o Oeste Paulista.
A economia cafeeira foi um importante fator de modernização da economia.
Mauá, por seus empreendimentos, tornou-se o símbolo do processo de modernização. A persistência da estrutura colonial, em especial a escravidão, constituiu um ponto de fragilidade do desenvolvimento econômico.

 
Da escravidão ao trabalho livre
O movimento abolicionista começou a partir dos centros urbanos e encontrou apoio no nordeste, onde em razão da decadência econômica o numero de escravos estava diminuindo. Diante da inevitável abolição, o império optou por abolir gradualmente: primeiro pela Lei do Ventre Livre, depois pela Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei Sexagenária.
Os abolicionistas intensificaram as pressões até que a escravatura tornou-se um fato inevitável de acontecer, comprovado pela Lei Áurea em 1888. Durante esse período a economia cafeeira cresceu, mesmo com os problemas da mão-de-obra.
A solução foi através da imigração. O comercio interprovincial de escravos além de não resolver o problema, ainda agravou a situação econômica no nordeste, principal centro de exportação de escravos.
Prevendo o abolicionismo, os ricos donos de terras trataram de se precaverem com a Lei de Terras, que tinha o objetivo de reservar as propriedades apenas aos ricos. Com isso, mantinham os pobres disponíveis como mão de obra aos fazendeiros.
Com a chegada dos imigrantes, principalmente italianos, os fazendeiros implantaram um regime de colonato, ou seja, pagamento fixo no cafezal, e pagamento variável de acordo com a colheita.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Capitalismo, imperialismo e a Primeira Guerra Mundial


A SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: A partir do final do século XX, os ganhos de escala se potencializam devido ao crescimento da disponibilidade de aço, uma das marcas da segunda revolução industrial. No atual contexto, qualquer oscilação de demanda ou fluxo de matéria prima, que antes poderiam ser enfrentadas com modificações na mão-de-obra, transformam-se em graves entraves devido à mecanização intensiva.A alternativa para uma nova dinâmica de crescimento foi a integração vertical, através de processos de fusões e incorporações, que modificam profundamente a estrutura empresarial. Em todos os setores em que havia a possibilidade técnica de exploração de ganhos de escala, surgiram grandes empresas, verticalmente integradas em suas cadeias produtivas e operando nos grandes mercados nacionais.Para que o processo seja eficiente é preciso uma profissionalização na gestão empresarial pois é preciso assegurar além de um sistema de produção eficiente, também é preciso maximizar os resultados em termos de compras, distribuição e marketing, que extrapola em muito a capacidade gerencial e financeira do empresário. Logo, a verticalização exige uma complexa estrutura administrativa que marcará a segunda revolução industrial através da empresa de sociedade anônima, gerenciada por uma estrutura hierárquica de administradores profissionais assalariados.A estrutura administrativa passa a representar um elevado custo fixo e devido a atividades não mecanizáveis, essa estrutura se caracteriza pela baixa produtividade. Dessa forma, além de aumentar sua participação em termos de número de funcionários, a estrutura reduz os ganhos de produtividade de áreas operacionais.A maximização do lucro no curto prazo perde espaço para a maximização de lucros de longo prazo, através de uma expressiva reinversão de lucros de forma a garantir a ampliação da própria estrutura administrativa. Serão desenvolvidas novas oportunidades de investimento, criando novas demandas através de um marketing agressivo, bem como interiorizando a própria dinâmica de inovação através de laboratórios internos de P&D: cria-se uma organizada insatisfação em termos de se delinear um desejo para ser satisfeito.Alimenta-se na indústria a mística de lucratividade da ciência - onde empresas começam a financiar tanto a pesquisa básica como a aplicada. Ao contrário do empirismo tecnológico, totalmente dissociado da ciência, que caracteriza a primeira revolução industrial, a dinâmica tecnológica comandada pela grande empresa se associa com a ciência acarretando uma aceleração do processo de desenvolvimento científico e tecnológico.A nova hegemonia ficará a cargo dos EUA que, às vésperas da Primeira Grande Guerra detém 40% do PIB dos países desenvolvidos e passa a 50% ao final da Segunda Guerra. O sucesso foi atribuído a três fatores. O primeiro foi em função de uma estrutura maior de capital aberto de suas empresas, devido a serem retardatários na primeira revolução industrial. O segundo fator foi a aceleração do processo de verticalização devido à forte preocupação americana com o livre mercado e sua oposição a cartéis. O mais importante fator foi a grande adequação e aceitação da sociedade americana ao produto padronizado.Conforme caracterizado por Rosenberg: "...por todo um completo leque de produtos tem-se a evidência de que os consumidores britânicos impuseram seus gostos sobre os produtores, constrangendo-os seriamente com relação à exploração da tecnologia das máquinas. Observadores ingleses frequentemente notavam, com grande espanto, que os produtos americanos eram projetados para se adaptar, não ao consumidor, mas sim à máquina...". A Eletrificação da SociedadeA energia elétrica está para a segunda revolução industrial assim como a máquina a vapor esteve para a primeira e com a luz elétrica as taxas de lucratividade foram elevadas, permitindo o acelerado crescimento industrial. Motores e máquinas menores e toda a parafernália eletrônica subsequente permitiram o desenvolvimento de um grande número de utilidades domésticas, que seriam os bens de consumo duráveis que, juntamente com o automóvel, constituem os maiores símbolos da sociedade moderna.O desenvolvimento da indústria de utilidades domésticas ocorre como resposta natural à escassez e ao encarecimento da mão-de-obra de serviços domésticos. Ou seja, a mão-de-obra de baixa qualificação migra para a indústria e os salários dos serventes tendem a acompanhar os salários industriais. Com o crescimento do movimento feminista, vincula-se a ideia que as "donas de casa devem se libertar da escravidão do trabalho doméstico", o que intensifica a demanda por utilidades domésticas devido ao aumento da renda familiar.No contexto de se aumentar a produtividade do trabalho, surge o método de administração científica de Frederick W. Taylor, que se tornaria mundialmente conhecido como taylorismo: para ele o grande problema das técnicas administrativas existentes consistia no desconhecimento, pela gerência, bem como pelos trabalhadores, dos métodos ótimos de trabalho. A busca dos métodos ótimos, seria efetivada pela gerência, através de experimentações sistemáticas de tempos e movimentos. Uma vez descobertos, os métodos seriam repassados aos trabalhadores que transformavam- se em executores de tarefas pré-definidas. Uma segunda concepção teórica, conhecida como fordismo, acelera o conceito de produto único de forma a intensificar as possibilidades de economia de escala no processo de montagem e se obter preços mais baixos. Com seu tradicional exemplo do Ford T, ao se valer da moderna tecnologia eletromecânica, ele desenvolve peças intercambiáveis de alta precisão que elimina a necessidade de ajustamento e, consequentemente do próprio mecânico ajustador. Sem a necessidade de ajuste, a montagem pode ser taylorizada, levando a que mecânicos semi-qualificados se especializassem na montagem de pequenas partes.Com a introdução de linhas de montagem, eleva-se a produtividade ao minimizar o tempo de deslocamento e redução nos estoques. Muito mais importante ainda, são os ganhos dinâmicos de longo prazo, uma vez que se pode avançar com a taylorização, onde a própria linha de montagem se transforma no controlador do ritmo de trabalho. Esse cenário leva à substituição de empregados por máquinas de forma a maximizar a produtividade.Por fim, com a expansão das escalas e dos ritmos de produção, o avanço da mecanização em sistemas dedicados se intensificará também nas unidades fornecedoras de peças, assim como nos fabricantes de matérias-primas e insumos.
A PARTILHA AFRO-ASIATICA: A ebulição política e social após a Segunda Guerra Mundial se estabeleceu também nas regiões em processo de descolonização, pois o fim da guerra fria demarcava, na pratica, ó fim dos impérios coloniais. A partir de 1945, o ideal de independência dos povos colonizados transformou-se num fenômeno de massas, com o surgimento de vários países politicamente livres, que, no entanto mergulharam na dependência econômica, determinando o subdesenvolvimento, o terceiro-mundismo.

Entre 1950 e 196, mais de quarenta países afro-asiáticos conseguiram sua independência, impulsionados pelo nacionalismo, pelo declínio do poderio europeu após a guerra e pelo apoio da Organização das Nações Unidas, que reconhecia seus direitos. Além disso, havia a posição favorável dos Estados Unidos e da União Soviética, que viam em tal processo um forma de ampliar suas áreas de influência.

No processo de descolonização firmaram-se duas opções: a libertação por meio da guerra, em geral, com a adoção do socialismo, ou independência gradual concebida pela metrópole, que passaria o poder político à elite local; esta articulada com o mundo capitalista, manteria a dependência econômica num regime neocolonialista.

Em 1955, a Conferência de Bandung, na Indonésia, debateu os problemas do Terceiro Mundo e a questão do não-alinhamento, reunindo vinte e nove nações afro-asiáticas, que declararam apoiar o anticolonialismo e combater o racismo e o imperialismo.

Bandung substituiu o conflito leste-oesteqntre capitalismo e socialismo pelo norte-sul entre os países industrializados ricos e os países pobre e exportadores de produtos primários. As nações reunidas definiram publicamente quatro objetivos básicos:

• ativar a cooperação e a boa vontade entre as nações afro-asiáticas e promover seus mútuos interesses;

• estudar os problemas econômicos, sociais e culturais dos países participantes;

• discutir a política de discriminação racial, o colonialismo e outros problemas que ameaçassem a soberania nacional;

• definir a contribuição dos países afro-asiáticos na promoção da paz mundial e na cooperação internacional.
No fundo, a Conferência de Bandung firmava a existência de um bloco multinacional, não alinhado, o denominado Terceiro Mundo, sem definir uma política concreta para a superação do subdesenvolvimento e das heranças coloniais.

Esse video conta como foi a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) : http://www.youtube.com/watch?v=Kd13pZvSDXM&feature=related

O nacionalismo e as novas potências industriais


O NACIONALISMO: Um dos conceitos mais danosos que estigmatiza a Ummah do Profeta é o nacionalismo. Trata-se de um conceito perigoso que transformou a base emocional da Ummah e que visivelmente fortalece a divisão entre aqueles que dizem acreditar na mesma ideologia. Além do mais, os muçulmanos se identificam com os turcos, árabes, africanos e paquistaneses. Como se não bastasse, os muçulmanos também se subdividem dentro de cada país ou continente. Por exemplo, no Paquistão, as pessoas são classificafas como punjabs, sindis, balauchis e pathans. Esta fragmentação continua a ganhar importância entre os muçulmanos.
No passado, durante o domínio islâmico, a ummah muçulmana nunca se defrontou com este dilema. Jamais sofreu de desunião, de tão grande opressão, estagnação na ciência e tecnologia e, certamente, nunca nos defrontamos com conflitos internos como os que testemunhamos neste século, como, por exemplo, a guerra Irã-Iraque. Então, o que está errado com os muçulmanos deste século? Por que há tantas disputas   entre eles e por que estão sempre lutando uns contra os outros? O que causou esta debilidade e o que fazer para sair da presente estagnação?
São muitos os fatores que contribuíram para o presente estado de coisas, mas alguns dos principais são o descaso com o idioma árabe como a língua de compreensão correta do Islam, e a prática da Ijtihad, a absorção de culturas estrangeiras e o consequente abandono das crenças islâmicas, a perda gradual da autoridade central sobre algumas das províncias e a ascensão do Nacionalismo, a partir do século XIX.
O Nacionalismo não surgiu no mundo muçulmano naturalmente e nem veio como resposta ao  sofrimento vivido pelas pessoas, e nem devido à frustração que sentiram quando a Europa começou a dominar o mundo após a Revolução Industrial. Ao contrário, o nacionalismo foi implantado na mente dos muçulmanos através de um esquema bem montado pelos poderes europeus, após não conseguirem destruir o Estado Islâmico pela força.

A GUERRA CIVIL: Uma guerra civil é uma disputa hostil e armada entre pessoas de um mesmo país. Entretanto esta definição, embora também correta pode abranger também, outros conflitos entre os habitantes de um mesmo Estado que nem sempre são caracterizados como “guerra” devido à sua dimensão ou motivos. Por isso, costuma-se observar três características principais para caracterizar um conflito nacional de “guerra civil”: primeiro e bastante óbvio, a guerra civil deve ser uma “guerra”, ou seja, é necessário que haja luta armada; em segundo lugar o conflito deve ser de caráter “civil”, o que não significa que as forças armadas do país em guerra não estejam envolvidas, mas que o conflito tem forte participação popular, ocorre dentro das fronteiras de um país e grande parcela de seus habitantes está diretamente envolvida na luta armada; e em terceiro lugar, o conflito tem sempre como objetivo a aquisição, manutenção ou exercício da autoridade nacional.Segundo alguns autores as guerras civis ocorrem predominantemente em países que têm sua economia baseada na agricultura com exportação de cerca de 1/3 de seus recursos naturais. Outro fator que contribuiu (e, em alguns lugares, contribui) para a ocorrência de guerras civis é a forma como ocorreu a colonização e independência de alguns países, onde o que restou após a independência foi a instabilidade política de diversas parcelas da população, seja separadas em tribos, religiões ou etnias diferentes, disputando o poder.De fato a instabilidade política é determinante para a maior ou menor probabilidade de ocorrência de guerras civis. Países com governos autoritários, ou com oscilações constantes e/ou profundas do quadro político (golpes, insurgências, etc.) são, historicamente, locais de conflitos civis.

A origem do trabalhador moderno


OS CERCAMENTOS: Cercamentos são o processo de exclusão dos trabalhadores de seu meio de sustento, as terras produtivas, na transição do feudalismo para o capitalismo, mediante sua transformação em propriedade.
   Propriedade é precisamente a instituição fundamental do capitalismo, que permite vedar ao trabalhador o acesso aos meios (terra, recursos naturais) e dos instrumentos (maquinário) de produção, obrigando-o a vender o que lhe resta, a força de trabalho --por um salário. Assim a propriedade é uma condição sinequa non do assalariamento, a relação de produção predominante do capitalismo.
  Històricamente, a propriedade foi introduzida na transição do feudalismo para o capitalismo para controlar o acesso às terras produtivas, que de feudo ou terra comunal passaram a constituir propriedade. A transformação do feudo em propriedade transformou os senhores feudais em capitalistas. A transformação das terras comunais em propriedade –através do processo  de cercamentos (enclosures) na Inglaterra que durou do século XVI ao século XVIII*-- privou os trabalhadores da possibilidade de produzirem seus meios de subsistência obrigando-os a vender sua força de trabalho e assim transformou os servos e pequenos produtores independentes em assalariados, a relação de produção predominante no capitalismo.
Acesso à terra urbana
A ‘função social da propriedade’ –inscrita na Constituição brasileira de 1988 e posteriormente consolidada no Estatuto da Cidade de 2002—é uma construção ideológica sugerindo (a intenção de) equidade e justiça no acesso à terra nas aglomerações urbanas onde vive hoje (2004) mais de 80% da população.
É no entanto um pseudo-conceito. 
Por um lado, a ‘função social’ da terra ‘em geral’ –terra produtiva-- é justamente de prevenir o acesso do trabalhador a ela, é é por isso que a propriedade constitui a base sacrossanta, por ser indispensável, do capitalismo e da sociedade burguesa.
Já o caso da terra urbana é diferente. Na aglomeração urbana (na ‘cidade’) a terra não permite produção para subsistência e assim, estritamente falando, a terra urbana não tem função social.
Em verdade, a terra urbana não é mais que suporte de uma localização, a saber, no espaço urbano, sendo que a forma de pagamento por ela: preço para adquirir a localização (em regime de propriedade) ou aluguel (a famigerada “renda”) para usufruir dela por determinado período é secundária